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domingo, 24 de setembro de 2017

PREPARANDO-SE PARA MORRER!

video
Infelizmente é isso! 
O que podemos esperar de um governo golpista e genocida 
como a quadrilha que se abancou no poder? 

"Massacres, sofrimentos e assassinatos, levam os indígenas 
Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul a tomarem a última 
decisão drástica: 
Após sofrerem duras ataques,  indígenas guaranis kaiowá 
se preparam espiritualmente para resistir em permanecer 
seus TEKOHÁ até a morte. 
A decisão foi tomada em coletivo na terra Indígena 
Ñhanderú Marangatu, diante ao túmulo do indígena guarani 
kaiowá Semião Vilhalva, assassinado pelos produtores rurais 
no último dia 26/08 no município de Antônio João / MS."

   ***   ***   *** 

Abraço plangente do tesco.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ESTUDAR OU NÃO?

No livro  "Mayombe", do escritor angolano Pepetela, 
encontramos, no capítulo 2, "A base", esta prédica do 
personagem Comandante Sem Medo ao seu subordinado,
guerrilheiro "Lutamos": 


"Lutamos pensou que encontrava apoio no Comandante. 
Sentiu coragem para proferir: 
— É por isso que não estou de acordo com o Comissário, 
que nos obriga a ir à escola. 
— Tu, Lutamos, és um burro! – disse Sem Medo. – Quem 
não quer estudar é um burro e, por isso, o Comissário tem 
razão. 
Queres continuar a ser um tapado, enganado por todos... 
As pessoas devem estudar, pois é a única maneira de 
poderem pensar sobre tudo com a sua cabeça e não com 
a cabeça dos outros. O homem tem de saber muito, sempre 
mais e mais, para poder conquistar a sua liberdade, para 
saber julgar. Se não percebes as palavras que eu 
pronuncio, como podes saber se estou a falar bem ou não? 
Terás de perguntar a outro. 
Dependes sempre de outro, não és livre. Por isso toda a 
gente deve estudar, o objetivo principal duma verdadeira 
Revolução é fazer toda a gente estudar." 

   ***   ***   ***   
Estudemos, pois!
Nunca desperdicemos uma oportunidade de aprender!

Abraço do tesco. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

DO MOMENTO ATUAL

"Em um momento em que a maldade
se exerce 
impunemente,
ser apenas inútil merece louvores." 


MONTAIGNE 
["Os Ensaios", livro 3, capítulo 9: Da vaidade]

domingo, 10 de setembro de 2017

MONTAIGNE SABE O QUE FALA!

"A obstinação e a convicção exagerada
são 
a prova mais evidente da estupidez. 


Haverá algo mais afirmativo, resoluto,
desdenhoso, 
contemplativo, grave
e sério do que um burro?" 


(Montaigne, in "Os Ensaios", livro 3, 

capitulo 8: Da arte de conversar)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

UMA CONSPIRAÇÃO!

No livro "Historia do Brasil para quem tem pressa", do 
professor e Historiador Marco Costa, encontramos uma 
análise sucinta, porém bem interessante, do tempestuoso 
período da História do Brasil que precede o golpe militar 
de 1964. 

UMA CONSPIRAÇÃO 
"João Goulart estava atravessado na garganta da elite 
brasileira como uma espinha." 

"Visto agora, passados 60 anos, é possível inferir que, da 
forma que se deu, a renúncia de Jânio foi uma conspiração. 
A viagem de uma comitiva brasileira para países comunistas, 
como China e União Soviética, encabeçada por João Goulart, 
foi a gota-d’água para os opositores no Brasil.

Na natureza, nada acontece de acordo com a vontade dos 
homens. Já na história, tudo acontece pela vontade deles. 
Somos nós que fazemos a história. Desse modo, a renúncia 
de Jânio Quadros aconteceu não “enquanto” Jango estava em 
viagem aos países comunistas, mas “porque” Jango estava 
em viagem aos países comunistas. 

Ao mesmo tempo que a comitiva seguia seu périplo, no Brasil, 
Jânio Quadros era colocado contra a parede. Então, em 25 de 
agosto de 1961, Jânio renuncia.
O primeiro passo estava 
dado. 

Para os militares, era importante que a renúncia de Jânio 
ocorresse no período da viagem de João Goulart. Na ausência 
do vice-presidente, que constitucionalmente deveria assumir 
o posto, quem assumiu foi o presidente da Câmara dos 
Deputados, Ranieri Mazzilli.

O segundo passo também estava dado em direção ao golpe. 
Não tenha dúvidas, embora não haja documentos, de que tudo 
estava milimetricamente articulado. 

Os militares e as elites econômicas estavam esperando 
apenas a oportunidade, e ela surgiu no momento em que se 
começou a articular a viagem de João Goulart ao Leste 
Europeu e à China.

Assim que o vice-presidente colocou os pés fora do país, a 
conspiração deslanchou. Contudo, o golpe militar só não se 
consumou porque surgiu entre os militares uma dissidência. 

No Rio Grande do Sul, surge uma resistência civil e militar ao 
golpe — João Goulart era gaúcho —, a chamada Campanha 
da Legalidade, encabeçada pelo então governador Leonel 
Brizola. Diante do impasse, decidiu-se que João Goulart só 
poderia assumir o poder se o regime de governo fosse alterado 
de presidencialismo para parlamentarismo. Em 2 de setembro 
de 1961, foi implantado o regime parlamentarista no Brasil, 
tendo como presidente da República João Goulart e como 
primeiro-ministro Tancredo Neves. Só assim os militares 
consentiram o retorno de Jango. 

Em janeiro de 1963, no entanto, por meio de um plebiscito, 
João Goulart consegue fazer passar a volta do modelo 
presidencialista, sendo extinta, portanto, a figura do primeiro-
ministro. Com plenos poderes, João Goulart parte para o 
ataque. Do outro lado, os militares, derrotados, conspiravam." 

   *   *   *   
Infelizmente, nosso atual presidente golpista (e "ex vice-
presidente") esteve na China recentemente, e não aconteceu
nada! Ele está do "lado certo". 


Esse "rapaz" continua atravessado na garganta do povo
brasileiro, mas não da "elite". 


Abraço do tesco. 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

OS OLHOS CULPADOS

Fuçando no blog de Bráulio Tavares, Mundo Fantasmo,
encontro esta pérola que é a lenda dos "Olhos culpados", 

que, coitados, são quem menos têm culpa neste cartório.

Além de nos narrar a lenda, Bráulio faz uma análise muito 

criteriosa dela, o que bem vale os poucos minutos que 
passemos imersos neste universo de lenda/análise. 

Por isso atrevo-me a transcrever esta sua poatagem: 

OS OLHOS CULPADOS

"As narrativas curtas que chamamos variadamente de 
fábula, apólogo, lenda, caso, etc., têm uma economia 
narrativa própria que não é a mesma do conto literário. 

É como se fosse uma história mais longa que foi perdendo 
adornos e adereços ao longo do caminho através do 
tempo, e ficou reduzida somente ao essencial. 

A narrativa abaixo está na Antologia da Literatura 
Fantástica (org. Jorge Luís Borges, Adolfo Bioy Casares e 
Silvina Ocampo, Cosac Naify, 2013, trad. Josely Vianna 
Baptista). Ela é atribuída a Ahmed Ech Chiruani, autor 
talvez inventado, porque o Google não parece saber sobre 
ele mais do que eu sei. 

OS OLHOS CULPADOS
Ahmed Ech Chiruani

Contam que um homem comprou uma moça por quatro mil 
denários. Um dia olhou para ela e começou a chorar. 
A moça lhe perguntou por que estava chorando; ele 
respondeu:  

– Tens olhos tão belos que me esqueci de adorar a Deus. 

Quando ficou sozinha, a moça arrancou os próprios olhos. 
Ao vê-la nesse estado, o homem ficou aflito e disse: 

– Por que te maltrataste assim? Diminuíste teu valor. 

Ela respondeu: 

– Não quero que haja nada em mim que te afaste de adorar 
a Deus. 

De noite, o homem ouviu em sonho uma voz que dizia: 
“A moça diminuiu seu valor para ti, mas o aumentou para 
nós e a tiramos de ti.”  Ao acordar, encontrou quatro mil 
denários sob o travesseiro. A moça estava morta. 
   *   *   *   

Primeiro que tudo, olha que maneira mais eficiente de 
começar uma história: 

1.    Contam que um homem comprou uma moça por quatro 
mil denários. 

“Contam”, abrindo uma narrativa, equivale, estruturalmente 
falando, a “era uma vez”. Joga os 100% da história para o 
território do mítico, do oral, do lendário, do ouvi-dizer. 

Algo parecido ocorre com o uso da moeda “denário”: era 
uma moeda romana (o Google se redime informando-me 
que essa moeda valia um dia de salário de um trabalhador), 
portanto historicamente datada. Mas isso é a moeda, não a 
palavra: a palavra, como símbolo de valor monetário, deu o 
francês “denier”, o árabe “dinar” e o português “dinheiro”. 
Estamos, portanto, em pleno território do arquétipo. 

E essa beleza de construção: “comprou uma moça”. O 
autor não diz que era uma escrava. Não precisa. Comprar 
escravos nesse mundo é como comprar um cavalo ou um 
passarinho. O homem comprou uma moça – e não era uma 
moça qualquer, porque ele pagou o equivalente a quatro 
mil dias de trabalho de um trabalhador comum. 

Digamos que, com nosso salário mínimo em torno de 
900,00 reais, um dia de trabalho valha em torno de 30 reais: 
a moça custou 120 mil reais. Não era uma moça qualquer. 
Se aparecesse numa revista não seria em Baratas, mas em 
Caras. 

2.    Um dia olhou para ela e começou a chorar. 

É típico dessas narrativas darem saltos bruscos de frase 
em frase, sem muitas explicações. Quem era o homem? 
Tinha esposa(s), filhos? Que papel a moça foi 
desempenhar junto a ele: empregada doméstica, serva 
sexual, o quê? Não sabemos. Nesta segunda frase o autor 
pula direto para o fato inusitado que desencadeia o 
desfecho. A frase 1 é introdução, da 2 em diante tudo 
é resultado. 

3. A moça lhe perguntou por que estava chorando. 

Existem trinta mil livros cuja história começa com alguém 
chorando e alguém perguntando por quê. É sempre uma 
boa maneira de começar, se não um livro inteiro, pelo 
menos um capítulo. “Certa tarde, ao descer a escadaria 
que levava ao salão, Fulana ouviu ruídos abafados. 
Aproximando-se, viu que Sicrano estava sentado numa 
saleta lateral, com o rosto entre as mãos, os ombros 
sacudidos por soluços...”  Sempre funciona. 

4. Ele respondeu: – Tens olhos tão belos que me esqueci 
de adorar a Deus. 

O amor, seja físico, seja platônico, nos distrai das paixões 
abstratas, entre as quais pensar em Deus não é uma de se 
jogar fora. Que o diga Nelson Gonçalves, neste bolero (de 
David Nasser e Herivelto Martins) que parece adaptado do 
conto de Ahmed Ech Chiruani: 

“Eu amanheço pensando em ti 
Eu anoiteço pensando em ti 
Eu não te esqueço, é dia e noite pensando em ti... 
Eu vejo a vida pela luz dos olhos teus... 
Me deixa ao menos, por favor, pensar em Deus.”
(Gravação original: "Pensando em ti" 

Parar  de pensar em Deus parece uma tragédia, 
principalmente parar de pensar em Deus por causa de uma 
curvilínea comprada em moeda sonante. Isto nos prepara 
(mas não totalmente) para o próximo ziguezague da 
narrativa. 

5. Quando ficou sozinha, a moça arrancou os próprios 
olhos. 

Nesse passado milenar e machista, a mulher sente que está 
trazendo turbulência espiritual para a vida do seu amo e 
senhor, e decide punir a si própria. E deixa para fazê-lo 
quando fica sozinha, para que ninguém tente impedi-la. 
Em contos assim não há meio termo. As pessoas só tomam 
decisões radicais. 

6. Ao vê-la nesse estado, o homem ficou aflito e disse: 

– Por que te maltrataste assim? Diminuíste teu valor. 

Esta fala é de um ambiguidade fascinante. Ele poderia ter 
dito: “-- Nunca mais verás as coisas belas da vida... / -- Não 
devias ter te maltratado tanto... / -- Perdi os olhos que tanto 
adorava / ...” – enfim, poderia ter tido mil reações de horror 
ou de dó. Mas não: “Diminuíste o teu valor (de mercado). 
Ninguém a quem eu queira te vender (porque vou te 
vender, já que não tens mais aquilo que me encantava) vai 
me pagar o preço que investi em ti.” 

Ressalva: Existe a possibilidade, caso de fato seja um 
conto oriental, de algo ter se modificado na tradução. 
A frase no original podia ser algo como “perdeste algo 
valioso”, ou “diminuíste a beleza que te valorizava”... 
Muitas vezes a tradução, mesmo tentando ser fiel, impõe 
um sentido que o original não tinha. 

7. Ela respondeu: 

– Não quero que haja nada em mim que te afaste de adorar 
a Deus. 

É um desses diálogos de que o cinema está cheio, o das 
mulheres altruístas que se sacrificam para que o homem 
amado possa, sei lá, casar com uma princesa sem que ela, 
uma namorada plebéia, o atrapalhe, ou separam-se do 
amado que vai se candidatar a um cargo público e não 
pode mostrar o mundo uma amante negra... Todos os mil 
sacrifícios feitos em nome do amor. Mesmo que se trate 
(no presente caso) do amor impossível de uma mulher 
pelo homem que a comprou. 

8. De noite, o homem ouviu em sonho uma voz que dizia: 
“A moça diminuiu seu valor para ti, mas o aumentou para 
nós e a tiramos de ti.” 

O sonho, nesses contos orientais, é quase sinônimo da voz 
de Deus (em contos ocidentais modernos, é a voz do 
Inconsciente Freudiano).  Portanto, é Deus, o Deus em 
quem ele deixara de pensar, que se comove com o 
sacrifício da moça. (Veja-se também o plural divino, que 
pode ser visto como o plural majestático dos reis, ou como 
uma insinuação de um Deus múltiplo.) 

Deus percebe que ela sacrificou os próprios olhos não 
somente pelo homem, para que pudesse pensar em Deus, 
mas também por Deus, para que pudesse ser adorado em 
paz. Deus agradece à moça o gesto elegante de ter se 
retirado da disputa e deixado caminho livre para Ele no 
coração do homem. 

9. Ao acordar, encontrou quatro mil denários sob 
o travesseiro. A moça estava morta. 

Um desfecho perfeito, em duas frases tão indissolúveis 
uma da outra quanto as duas faces da Lua. Deus leva a 
moça e devolve o dinheiro que o homem, por um instante, 
julgou ter perdido. E, ironicamente, a história termina como 
começou: a moça sendo novamente comprada por quatro 
mil denários. 

A leitura do ponto de vista feminino nos mostra a tragédia 
de uma moça vendida como escrava, que acaba assediada 
pelo patrão por sua beleza, assusta-se, mutila-se para 
escapar-lhe, e acaba morrendo. A moça é quem menos 
ganha com tudo que aconteceu. 

O homem compra uma escrava, deixa-se levar por uma 
paixão carnal, perde a escrava, recupera o dinheiro. 
E ganhou o que com tudo isto? Ganhou a experiência; 
ganhou um fato extraordinário em sua vida; ganhou (talvez 
o conto seja autobiográfico, e o homem da história seja 
Ahmed Ech Chiruani) uma história para contar." 

   ***   ***   ***   

Você leu e gostou, não?
Sempre é bom divulgar o que nos causa boa impressão!

Abraço do tesco.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

PROFECIA

51 anos atrás, Robert Kennedy dizia que estamos 
no caminho correto, apoiando Lula: 

“Cada vez que um homem honra um ideal… ele emana uma 
pequena ondulação de esperança, e cruzando-se umas com 
as outras de um milhão de diferentes centros de energia e 
ousadia, essas ondulações constroem a corrente que pode 
derrubar os mais sólidos muros de opressão e resistência.”

Robert Kennedy, 1966

("50 Ideias de física quântica que você precisa conhecer", 
Joanne Baker)

domingo, 30 de julho de 2017

DIZEM AS PAREDES_3

Dizem sim e, por vezes, as paredes emitem sábios conselhos. 
É o que se lê em "O livro dos abraços", de Eduardo Galeano. 
Se não acreditam, vejam um exemplo do que ele coletou, 
em suas andanças pelas Américas: 

"Em Montevidéu, no bairro Braço Oriental: 
Estamos aqui sentados, vendo como matam os nossos sonhos. 

E, no cais na frente do porto de Buceo, em Montevidéu: 
Bagre velho: não se pode viver com medo a vida inteira. 

Em letras vermelhas, ao longo de um quarteirão inteiro 
da avenida Cólon, em Quito: 
E se nos juntarmos para dar um chute nesta grande bolha 
cinzenta?" 

Pode ser apenas coincidência, mas são advertências que 
se adequam perfeitamente ao momento pelo qual o Brasil 
está passando.

E, infelizmente, estamos nos comportando como o 

"bagre velho" da citaçao!

Abraço do tesco.

RECESSO DO SORTESCO

Os sortescos sofrerão um recesso temporário, devido a 
despesas financeiras inprevistas. 

Não ocorre falta de livos ou CD's para sorteio, mas não é 
coerente arranjar encargos futuros enquanto cada centavo 
torna-se necessário, né? 

O sortesco retornará assim que o orçamento esteja 
requilibrado, o que espero ocorrer em dois meses.

Abraço do tesco.

sábado, 29 de julho de 2017

SORTESCO 406 - RESULTADO

(Bala perdida / Minha formação)
A dezena sorteada hoje foi 41, 
a opção vencedora é de:
ÉRIKA!
Parabéns!

A DESMEMÓRIA_4

"Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no 
centro da cidade, ao redor do edifício mais alto do mundo. 
Chicago está cheia de fábricas, 
Chicago está cheia de operários.

Ao chegar ao bairro de Hey market, peço aos meus amigos 
que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, 
aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro 
de maio. 

— Deve ser por aqui — me dizem. Mas ninguém sabe. 
Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires 
de Chicago na cidade de Chicago. 
Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada. 

O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal 
da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas 
as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as 
religiões e as culturas do mundo; 
mas nos Estados Unidos, o Primeiro de maio 
é um dia como qualquer outro. 

Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, 
e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os
direitos da classe operária não brotaram do vento, 
ou da mão de Deus ou do amo. 

Após a inútil exploração de Hey market, meus amigos 
me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. 
E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro 
um velho cartaz que está como que esperando por mim, 
metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema. 
O cartaz reproduz um provérbio da África: 

Até que os leões tenham seus próprios historiadores, 
as histórias de caçadas continuarão glorifícando o caçador."

*   *   *
Extraído de "O livro dos abraços". de Eduardo Galeano. 


Abraço do tesco.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

SORTESCO D 51

CD CLAUDONOR GERMANO
série 20 SUPER SUCESSOS vol. 1


"Tu não te lembras da casinha pequenina...", ê frevinho bom! 
Com o mais tradicional intérprete de frevos canção, esse disco 
nos remete aos carnavais do passado, quando os frevos de 
Capiba e Nélson Ferreira imperavam sem dúvida alguma. Tem 
pouco mais de uma hora pra nos fazer reviver os tempos da 
infância ouvido frevo. As faixas são: 
01. Chego Já
02. Elefante de Olinda
03. Pot-Pourri: Oh Júlia / Casinha Pequenina / 
      Gosto de Te Ver Cantando / 
      Linda Flor da Madrugada (5:41)
04. Oh! Que Frevo Bom
05. Frevo do Cordão Azul
06. Queimando a Massa
07. Frevo das Meninas
08. Estação da Luz
09. Tá Maluco
10. Mulher Bonita
11. Pot-Pourri: Segure no Meu Braço / 
     Que Será de Nós / Já Vi Tudo  (5:17)
12. Lua Grande
13. Pela Ribeira
14. Pot-Pourri: Chora Palhaço / Sorri Pierrot / 
     Cabeça Branca / Evocação Nº 1  (4:41)
15. Capiba
16. Pot-Pourri: Quando Se Vai um Amor / 
     Você Faz Que Não Sabe / Deixa o Homem Se Virar / 
     A Pisada É Essa / Vamos pra Casa de Noca (5:52)
17. Pot-Pourri: Saudade / Recife / 
     Saudade de Pernambuco / Voltei Recife (4:40)
18. Isso Aqui Tá Bom 
19. Pelas Ruas de Olinda
20. Pot-Pourri: Boneca / Ingratidão / 
     Você Gostou de Mim / O Teu Cabelo Não Nega (4:39)

CD MOREIRA DA SILVA
série A ARTE DE... 



O maior expoente do samba de breque de todos os tempos, 
Moreira cunhou um estilo todo particular, com a interpretação 
magistral da temática do malandro, da favela e do povo pobre 
que, rotineiramente, é  alvo preferido na atuação da polícia. 
 Eis as farxas: 
01. Rei Do Gatilho
02. Tira Os Óculos E Recolhe O Homen
03. Amigo Urso
04. Plantel
05. Na Subida Do Morro
06. Rainha Da Pérsia
07. Chave De Cadeia
08. Amigo Desleal
09. Filmando Na América
10. Só Vou De Gíria
11. Fui Á Paris
12. Morenguera Contra 007
13. Piston De Gafieira
14. Acertei No Milhar
15. A Nega Da Gafieira
16. Idade Não É Documento
17. De Como O Nego Doido Ficou Na Bronca 
18. O Último Dos Mohicanos
19. Gago Apaixonado
20, A Resposta Do Amigo Urso

CD WALDIR AZEVEDO
série O TALENTO DE... 



Notável virtuose do cavaquinho, Waldir é o compositor do mais
emblematico dos chorinhos, que é "Brasileirinho", do chorinho 
mais bonito, "Pedacinho do céu" e do baião que tem mais cara 
de choro de que menno pedindo sorvete, "Delicado". Por sinal, 
os três fazem parte deste CD. Confira as faixas: 
01 Brasileirinho
02 Pedacinho Do Céu
03 Delicado
04 Prelúdio Pra Ninar Gente Grande
05 Asa Branca
06 Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda
07 Kalu
08 Lamentos
09 Atrevido
10 Ave Maria
11 Mulher Rendeira
12 Naquele Tempo
13 Menino Do Braçanã
14 A Saudade Mata A Gente

INSCREVA-SE ASSIM: 
Escolha apenas UMA dezena, AINDA DISPONÍVEL, 
entre 00 e 99, e indique sua escolha nos comentários. 
Sua opção será válida ATÉ às 17 horas do dia do sorteio. 
O sorteio (item 2 do Regulamento) será em 02/08/2017. 
(ou data indicada pela Caixa). 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

SORTESCO D 50 - RESULTADO

(Bienvenido Granda / Hits Brasil /Saint-Preux)
A dezena sorteada hoje foi 42, 
a opção vencedora é de:
MANOEL CARLOS!
Parabéns!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

LIVRANDO A CARA DA POLÍCIA

Um dos textos de "Bala perdida". É longo para os padrões
da página, mas é deveras pertinente: 



Os mecanismos midiáticos
que livram a cara dos crimes
das polícias militares no Brasil

Laura Capriglione

"O estado de São Paulo tem um personagem inconveniente, 
insuportável mesmo. É uma mulher, espécie de maluca, dessas 
que aparecem nas horas erradas, chamam atenção para si, 
choram, carregam cartazes, brigam, falam alto. 
Chama-se Débora Maria da Silva, que ficou desse jeito desde que 
seu filho foi assassinado por homens encapuzados durante o 
revide policial aos ataques da organização criminosa PCC 
(Primeiro Comando da Capital), em maio de 2006. 

Na ocasião, um verdadeiro massacre foi cometido no estado. Em 
apenas dez dias, entre 12 e 21 de maio de 2006, caíram mortos 
505 civis, assassinados em supostos confrontos com a polícia, 
executados sumariamente por soldados da PM ou vitimados por 
grupos de encapuzados. No mesmo período, 59 agentes públicos 
foram mortos naquilo que consistiu a principal ação do PCC 
contra o aparelho do Estado. Segundo o sociólogo Ignácio Cano,
do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual 
do Rio de Janeiro, um dado esclarecedor sobre as motivações da 
morte de tantos civis (a dos agentes públicos, afinal, já se sabia
a mando de quem havia sido realizada) reside na cronologia
dos 

fatos. 

Enquanto os agentes públicos foram mortos nos dias 12 e 13, os 
civis foram assassinados, fundamentalmente, entre os dias 14 e 
17. Disse Cano em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo: 
“Esse quadro reforça a suspeita de que houve uma represália às 
ações do PCC, uma vez que a maior parte dos civis morreu nos 
dias seguintes”. 

O filho de Débora, Édson Rogério da Silva, foi um desses 505 
civis. Morreu na Baixada Santista, para integrar as estatísticas  
do matadouro em que se transformou o estado de São Paulo. 

E seria
 apenas isto: mais um sujeito preto, pobre e favelado a 

a engrossar as análises frias dos trabalhos acadêmicos e as
páginas policiais de jornais e revistas. 

Devastada pela dor da perda do filho, Débora chegou a dormir no 
cemitério onde ele se encontra enterrado, em Santos. E, então, 
levantou-se para fazer a voz dele reviver na sua própria. Fundou 
a organização Mães de Maio para cobrar a responsabilidade do 
Estado no assassinato e no desaparecimento de moradores das 
periferias pobres. 

O nome Mães de Maio parece ecoar o de outro movimento contra 
massacres cometidos pelo Estado, o Mães da Praça de Maio, que 
age contra os crimes da ditadura militar argentina. Também 
essas mães eram inconvenientes, intransigentes, insuportáveis. 
E, por isso, eram chamadas de “las locas de la plaza de Mayo”. 
Mas elas mudaram a história. E é isso o que Débora também quer 
em sua incansável militância diária. 

A dor de Débora fez dela a maior referência dos milhares de pais 
e mães que, desde 2006, perderam seus filhos devido à ação da 
Polícia Militar. Assim, o movimento Mães de Maio começou a 
juntar também mães de outros meses, de 2007, 2008, 2009, até 
hoje. E não para de crescer, porque a polícia nunca cessou de 
tratar os pretos pobres, moradores das periferias, como 
“suspeitos padrão”. 

Débora exige apuração dos crimes. Mostra o rosto devastado 
dos pais chorando a morte dos filhos. Dá nome e sobrenome
às vítimas. Cobra ação da Justiça. 

Denuncia a reação anestésica da mídia tradicional. Escracha os 
programas sensacionalistas, que vivem de incitar a população
à prática da vingança de sangue. Débora incomoda porque 
desnuda a violência estatal, uma violência bifronte que se 
apóia em duas lógicas distintas, mas complementares:
1) a lógica policial militar, que entende os cidadãos negros, 
pobres e periféricos como inimigos potenciais do Estado que
os exclui; 
2) a lógica da violência simbólica, operada principalmente pela 
mídia tradicional, que desumaniza e criminaliza as vítimas, 
atuando como salvo-conduto para a prática da violência policial. 

Senão, vejamos: o exercício racista da violência do Estado 
brasileiro é de fazer inveja ao mais racista entre os policiais de 
Baltimore, nos Estados Unidos, onde uma onda de rebeliões 
negras em 2015 tem denunciado a covardia dos agentes 
públicos, matando e torturando cidadãos afrodescendentes 
como se nem humanos fossem. 

Pois a PM de São Paulo matou 10.152 pessoas entre julho de 
1995 e abril de 2014. Entre 2008 e 2012, foram 9,5 vezes mais do 
que todas as polícias dos Estados Unidos. Enquanto os Estados 
Unidos registraram 0,63 morte a cada 100 mil habitantes, em 
São Paulo o índice foi de 5,87 no mesmo período. 

A maioria era de moradores das periferias pobres, negros ou 
pardos. Apesar disso, enquanto os Estados Unidos assistem a 
um processo de indignação e protestos pelas mortes decorrentes 
de ação policial, inclusive com homenagens a todos os negros 
mortos pela polícia nos últimos meses (Michael Brown, Tamir 
Rice e Eric Garner, entre outros), no Brasil opera-se uma espécie 
de anestesia da sensibilidade social, da qual só agora 
começamos a sair. 

Como aconteceu essa dessensibilização, a ponto de nenhum 
horror terem causado as mortes de 505 civis em um único estado 
da Federação em apenas dez dias? 

Como se desligaram os sensores humanos da tragédia social, 
quando milhares de pessoas são vítimas de um Estado 
ultraviolento e intrinsecamente racista? 

Um dos mecanismos opera pelo registro da invisibilidade do 
outro, dos outros, dos que não moram em Higienópolis, nos 
Jardins, no Leblon ou em Ipanema. A tragédia do filho morto no 
Capão Redondo ou no Alemão vira registro. Em Ipanema ou nos 
Jardins, é matéria de capa. A invisibilidade da realidade da 
periferia é parte do mecanismo que permite a supressão de 
direitos. 

Só reivindica direitos quem é visível no campo do debate 
democrático. Tornar invisíveis os problemas vividos pelos 
moradores da periferia é uma forma de eludir suas 
reivindicações. 

Explica-se: quando foi assassinado pela polícia o publicitário 
Ricardo Prudente de Aquino, em julho de 2012, depois de 
ultrapassar uma barreira policial em Alto de Pinheiros, um dos 
bairros mais ricos de São Paulo, fizeram-se manifestações e 
protestos, amigos vestidos de branco, rosas nas mãos, missa 
na igreja Nossa Senhora do Brasil – a mesma dos casamentos 
da elite paulistana. Repórteres de toda a imprensa presentes. 

Ricardo era uma exceção branca num monte de cadáveres 
negros e pobres. No mesmo mês, a polícia matara um jovem 
segurança morador do fundão da Zona Sul da cidade. 
A justificativa foi tê-lo confundido com um bandido. 

Como aconteceu no bairro rico, mãe, pai, amigos e colegas de 
trabalho desfilaram pelas ruas da periferia, com camisetas 
brancas e rosas nas mãos. Mas a mãe já sabia: “Protesto por 
assassinato de pobre não aparece no jornal”. Não apareceu 
mesmo. Foi noticiado apenas como “registro”, ou nota curta, 
sem foto. 

Em certo sentido, isso se deve ao paroquialismo dos jornais, 
com jornalistas cobrindo preferencialmente suas vizinhanças, 
seu próprio espaço vital, onde circulam seus amigos e seus 
familiares. É também porque os bairros ricos e de classe média 
concentram o leitorado dos jornais, a clientela direta. Por fim, 
tem a ver com a adesão ao projeto político tucano, que 
hegemoniza a política paulista há vinte anos. O governador 
do estado é o chefe da Secretaria de Segurança Pública. 

Outro mecanismo acontece pela manipulação da narrativa. 
O assassinato de um jovem trabalhador pela polícia é 
apresentado como “confronto”. A vítima, criminalizada, é 
invariavelmente acusada de ser traficante, de ter resistido à 
prisão, de estar armada, versão que a mídia tradicional 
retransmite docilmente e, na maioria dos casos, sem checar.

É uma covardia. Dotada de imensa assessoria de imprensa, a 
Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública fabricam
suas “verdades” contra famílias pobres, desassistidas e
desesperadas  pela dor e pelo medo, muitas vezes ameaçadas
caso ousem falar. 

Uma das maiores violências cometidas contra a família dos 
jovens assassinados pela Polícia Militar e contra a própria 
memória das vítimas reside em sua criminalização póstuma. 
Já entrevistei dezenas de pais e mães de vítimas como forma de 
documentar a violência policial, e a primeira coisa que a maioria 
deles faz é apresentar a carteira de trabalho do filho morto. Uma 
dessas mães mostrou-me a carta de condolências que o gerente 
da loja McDonald’s em que o filho trabalhava mandou-lhe depois 
do assassinato do menino por dois policiais militares fora de 
serviço. A carta dizia que o jovem era um funcionário exemplar. 

No enterro do jovem, colegas de escola e de emprego fizeram 
questão de estar presentes, em solidariedade. Para a poderosa 
assessoria de imprensa da polícia, entretanto, ele era apenas um 
ladrão. Nos jornais, a autoridade policial apareceu dizendo que 
o rapaz havia assaltado um supermercado e depois resistido – 
armado – à ordem de prisão. Estava “justificada” a morte. 

A mãe “foi procurada, mas não foi encontrada” figura, como 
sempre, a justificativa para a falta do chamado “outro lado”. 
E o menino virou bandido, algo que lança o estigma do crime 
sobre a memória dele e sobre toda a sua família. 

Outro recurso narrativo a favorecer a culpabilização da vítima 
consiste na extração do jovem morto de qualquer contexto 
afetivo, familiar, de vizinhança. 

O resultado do processo é ele ser reduzido à condição de 
“bandido absoluto”. Na maior parte das vezes, nem nome o 
morto possui nos registros dos jornais. 

O caso do pedreiro Amarildo é exemplar da atuação desse 
mecanismo, usado no piloto automático pela mídia tradicional. 
Ao mesmo tempo, trata-se de um marco a mostrar a potência das 
contranarrativas geradas nas redes sociais por comunidades e 
movimentos por direitos humanos. 

O pedreiro Amarildo foi preso, torturado e morto pela Polícia 
Militar do Rio de Janeiro no dia 14 de julho de 2013. Os jornais 
tradicionais, fiéis às assessorias de imprensa da polícia, 
apressaram-se em veicular a versão de que ele seria um 
traficante ou um prototraficante e que seu desaparecimento 
decorreria de acertos entre bandidos. 

Foi graças à troca de mensagens, torpedos e à campanha “Onde 
está o Amarildo?”, iniciada nas redes sociais, especialmente no 
Facebook, com o apoio de movimentos como o Mães de Maio (da 
inconveniente Débora) e da Rede de Comunidades e Movimentos 
contra a Violência, que Amarildo tornou-se pedreiro e resgatou, 
post mortem, sua humanidade. 

Assim, descobriu-se que ele, que tinha o apelido de “Boi”, era 
casado com a dona de casa Elizabeth Gomes da Silva e pai de 
seis filhos, com quem dividia um barraco de um único cômodo. 

Os jornais tradicionais – sob o risco da desmoralização – foram 
obrigados a ir atrás da verdadeira história do pedreiro 
assassinado. 

Por fim, linha auxiliar importantíssima na manipulação, na 
justificação e no incentivo da violência policial, estão os 
programas sensacionalistas vespertinos, que têm entre suas 
maiores estrelas os apresentadores Marcelo Rezende e José 
Luiz Datena. [artigo esqcrito em 2015]

Segundo o tenente-coronel da reserva da Polícia Militar de 
São Paulo Adilson Paes de Souza, esses programas enaltecem 
a associação de “truculência e arbitrariedade policial com o 
exercício de autoridade”. Segundo ele, alimentam ainda mais 
essa violência porque são consumidos avidamente nos quartéis. 

“O efeito terapêutico dessas falas nos policiais militares é 
terrível”, moldando sua ação violenta e justificando-a.

Hoje, o Brasil começa a mostrar a potência das contranarrativas 
feitas em rede e, como acontece nos Estados Unidos, 
multiplicam-se os registros em vídeo das violências cometidas 
por PMs, os quais viralizam pela internet; temos vítimas com 
nome e sobrenome, com história, com família, com luto, com 
carteira de trabalho. 

Temos vítimas que são objeto de saudades. Graças à ativa 
entrada dos pobres nas redes sociais, começam a ser 
desmontadas as mentiras veiculadas pelas assessorias de 
imprensa das polícias em conluio com uma imprensa 
desqualificada e adepta de soluções fáceis e apurações 
“por telefone”. 

Esse é o caminho e o legado deixados pelas tantas mortes de 
Amarildos, Cláudias, Douglas, Eduardos de Jesus. “Nossos 
mortos têm voz”, dizem as Mães de Maio. Cada vez mais." 
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(in "Bala perdida", org. B. Kucinski, 2015)

Abraço do tesco.